
O grupo de pesquisa O discurso nas fronteiras do social: diferentes materialidades significantes e tecnologias de linguagem ♥, referido por suas e seus integrantes como Grupo Fronteiras, está completando 20 anos, em um trajeto que vem fortemente marcado pela busca em compreender discursivamente a resistência do sujeito no social em suas diferenças constitutivas. Falamos de um social tenso, contraditório, partido e estilhaçado, estruturado pela insensibilidade que constitui as relações individualistas que o capital, o mercado e o direito reafirmam em todos os seus princípios.
Nosso foco na diferença tem como interesse confrontar as interpretações em suas versões conflitantes, muitas vezes antagônicas, olhar para as disputas considerando suas condições discrepantes para dar vazão aos sentidos em suas lutas. Queremos ser afetadas e afetados pelas vozes que circulam apenas nas bordas, e também por aquelas que não circulam, pelos sentidos que nos escapam, pelos olhares fugidios, pelas escutas moucas.
A alteridade é um conceito que guia nossas discussões pela contradição e nos afasta das dicotomias opositivas que imobilizam e nos fazem patinar. Ir além da oposição foi um ponto de grande insistência nas pesquisas do grupo, para fazer compreender que resistir não se restringe a se opor a algo. O conjunto dos trabalhos do grupo, hoje, nos permite ter a dimensão do quanto o sentido de resistência teve espaço de deriva, acolhendo objetos simbólicos diversos, com consequências importantes para reiterar a posição discursivo-materialista. Entendemos a resistência como possibilidade de o sujeito reconhecer-se em relações que até então não o haviam mobilizado, possibilidade de o sujeito se identificar com novos sentidos. Compreendemos a resistência no espaço do simbólico, fora do voluntarismo, e insistimos que a resistência do sujeito se faz na e pela linguagem.
Desde sua proposta inicial, o Grupo Fronteiras foi mobilizado pelo desafio de discutir as relações sociais em suas fronteiras, e foi muito significativo para o grupo quando esse desafio se ampliou pela vontade de acolher, pelo dispositivo discursivo materialista, análises de documentários e filmes. Buscamos analisar o social, nesse novo momento, também em suas imagens, e fomos nos deixando afetar por composições que foram nos apresentando o social na imbricação de diferentes materialidades significantes. Novos objetos simbólicos foram se impondo e nos seduzindo. Mais recentemente, as tecnologias de linguagem nos demandam em discussões ousadas e complexas.
Festejamos os 20 anos do Grupo Fronteiras dando as boas-vindas a todes, ansiosas e ansiosos pelas contribuições que virão neste evento que se abre!
♥Sediado no IEL (Unicamp) e atualmente alocado no centro de pesquisa PoHEMaS, o grupo está inscrito no CNPq sob a coordenação conjunta de Suzy Lagazzi e Guilherme Adorno.
Integrantes

































